Por que é importante fazer a história de uma instituição escolar?
Segundo Sanfelice, 2005, as instituições escolares têm uma origem quase sempre muito peculiar, (...) que ocupam um espaço geográfico específico, que se expõe para a sociedade desde a arquitetura de seu prédio, quase sempre uma denuncia da sua idade, tem sua identidade própria, que a torna singular.
[...] A singularidade das instituições educativas mostra e esconde como ocorreu e/ou ocorre o fenômeno educativo escolar de uma sociedade.
[...] Mergulhar no interior de uma instituição escolar, com o olhar do historiador, é ir em busca de suas origens, é ir à busca das alterações arquitetônicas pelas quais passou e que não são gratuitas; é ir à busca da identidade dos sujeitos que a habitaram, das práticas pedagógicas que ali se realizaram (...) Mas o essencial é tentar responder à questão de fundo: o que esta instituição singular instituiu para si, para seus sujeitos e para a sociedade? Mais radicalmente ainda: qual o sentido do que foi instituído?
Considerar a escola numa perspectiva a - histórica, onde essa é resultado apenas do tempo presente, sem nenhuma relação com o passado ou projeção para o futuro; ou desconsiderando as transformações ocorridas, a contemporaneidade, supor que escola boa, é a escola do passado ou ainda, simplesmente considerar a escola como parte de uma sociedade idealizada, destacando um discurso que leva a isso, pois assumi-la na sua totalidade é tarefa muito difícil; são visões distorcidas em relação à escola e a gestão escolar (Lombardi, 2005).
A História da Educação ajuda a compreender essas visões de senso comum e entender que a instituição escolar pode ter concepções diferentes, tais como: a escola por ser produto da ação das pessoas, está em constante transformação e que, portanto, é produto das gerações passadas e da atuação dos gestores, agentes do tempo presente e partindo dessa escola, construir a escola que queremos, inserindo-a num processo de transformação da própria sociedade.
Não é preciso ser historiador, mas é essencial imbuir-se de consciência histórica. Assim, colocar-se como agente de transformação da escola exige de todos consciência histórica que permite enxergar a história na sua totalidade, isto é, não uma sucessão de fatos, datas e heróis, mas conforme já mencionado, é construída pela ação dos homens que buscam a construção de conhecimentos verdadeiros, que transformam a escola e a sociedade.
É necessário despertar nos gestores e professores, sua consciência histórica, para que se coloquem no papel de historiadores, utilizando de todas as fontes disponíveis, para buscar compreender a história da escola onde trabalha: sua origem, seus alunos, seu público bem como seus valores, sua cultura, enfim, aquilo que lhe é próprio, singular, sua identidade, tanto passado (que já foi instituído), quanto presente, pois compreender o passado amplia o entendimento do todo da escola e nos permite propor transformações na escola e na sociedade (Sanfelice, 2005).
Histórico da Unidade Escolar
Era o ano 1984. As escolas de Pitangueiras não deram conta de atender a demanda. As seis classes excedentes foram alojadas na ESG “Prof. Nelson Marcelino da Silva”.
Na necessidade de espaço físico para atender esses alunos, após várias reuniões do grupo de diretores da época, ficara evidente a necessidade de construir mais uma escola. Deu-se, então, a instalação da EEPG (A) do Bairro Jardim Santa Vitória, em 01/12/84, localizada à Rua Arthur Mesquita s/n. A instalação fora publicada em DOE de 19/05/85.
Iniciou-se a construção emergencial (denominação da época para prédios muito simples, econômicos, de blocos à vista, construídos por falta de vagas).
O local escolhido fora o Bairro Jardim Santa Vitória: as crianças desse, já desprovidas econômica e socialmente, tinham que andar muito, a pé, para freqüentarem as escolas que eram mais centralizadas, além de que havia ali, um terreno de vinte mil metros quadrados, doado à Fazenda do Estado de São Paulo, em 1953, para a construção de uma escola.
A doação, feita pelo Sr. Antonio Joaquim de Moura Andrade e sua mulher Sra. Guiomar Soares Andrade, teve escritura lavrada em 10 de fevereiro de 1953.
Á época, iniciara-se a construção de um prédio, nesse local, que viria a ser o Ginásio Estadual, motivo pelo qual o terreno fora doado. Por motivos políticos, o alicerce, já construído no local, fora abandonado e o Ginásio construído em local mais centralizado, continuando os “de classe menos favorecida”, tendo que fazer longa caminhada para estudar.
Em de novembro de 1984, recebe a denominação de “DR Clóvis Guimarães Spínola” (DOE de 30/11/84), em homenagem a um pitangueirense, que foi um “autêntico líder político do município” e que dedicou também à Educação, às obras sociais, ao esporte, prestando relevantes serviços à coletividade de Pitangueiras”, atendeu ao Projeto de lei nº. 543/84, do então deputado estadual, Waldir Trigo.
No final do ano de 1984, em situação bastante precária, pois não havia muros, nem calçamento, o prédio com apenas três salas de aula, recebe as seis turmas, sob o comando do Sr. Mario Rossin, um educador incansável, que se dedicou muito à escola.
A criação da escola se deu em 26 de dezembro de 1985 (DOE de 27/12/85), através do decreto nº. 24.538 do governador de São Paulo, Franco Montoro.
Por vontade da equipe gestora, do grupo de professores e da comunidade local, que através de vários manifestos, se pronunciaram, a escola se tornou “Escola Padrão”, em 1993. Sua inclusão, no rol das escolas padrão, referendada em carta pelo Sr. Fernando de Moraes, secretário da educação, à direção da escola, veio atender aos anseios de todos, que lutaram e ampliaram a escola, sem ônus para os cofres públicos, numa atitude arrojada e democrática.
A primeira diretora efetiva foi a Sra. Yara Hernandes Balieiro, também uma guerreira, que esteve junto à equipe por 16 anos.
No dia 28 de janeiro de 2008, com a municipalização a escola passou a chamar Escola Municipal Dr. Clóvis Guimarães Spínola.
Atualmente encontra-se na direção a professora Elisabeth Quemelo Rodrigues.

bom
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